5 de abril de 2017

Dicas bafônicas de Havana, em Cuba

No primeiro dia de Havana, em Cuba, ouvimos na rádio de um destes “bafônicos” carros antigos o seguinte trecho: “Hasta que se seque el malecón (…) Ai ai ai ai (…) Hasta que se seque el malecón. Voy a seguir contando, produciendo, viendo la vida a color. Voy a seguir siendo Jacob el inmortal, hasta que se seque el malecón”. Começar um post sobre Havana, necessariamente implica em falar sobre o Malecón: “o maior bar do mundo”, segundo os próprios cubanos.

Trata-se da orla da capital cubana – com extensão de oito quilômetros, que se tornou o cartão-postal da cidade. No trajeto, é possível encontrar grupos de amigos de várias idades, cubanos fazendo esportes, casais, senhoritas e muitos boys-magia. Os cubanos ainda dizem que “não há ninguém que nunca tenha começado ou terminado um grande amor no Malecón”. O próprio cantor Jacob Forever, em sua música, fala sobre o término de um relacionamento feito no Malecón, algo como uma dor de cotovelo e um desabafo “no passa nada, yo seguiré; yo nunca me perdí; ahora fué que me encontré”.

Havana, Cuba - Foto: Antonio e André

Havana, Cuba – Foto: Antonio e André

Agora imaginem: um cantor cubano com o nome Jacob Forever, isso não é uma ambiguidade? Um cubano com nome artístico em inglês, nominado ao Billboard Chart em 2016, aclamado pela Sony Music como um “top celebrity”: uma visão bastante capitalista, não? Esta mesma ambiguidade pode se ver atualmente em Havana: uma cidade já tomada por turistas americanos, europeus e sul-americanos, mas ainda com traços bem fortes da Pós-Revolução.

O Museu da Revolução, aliás, é interessantíssimo e vale a visita. Ainda que de maneira bastante simplificada, o museu retrata a história, tendo Fidel Castro e Ernesto Che Guevara como os atores principais. O museu não podia deixar de retratar a relação controversa com os Estados Unidos, como pode ser vista na foto abaixo:

George W. Bush representado no Museu da Revolução, em Havana, Cuba - Foto: Antonio e André

George W. Bush representado no Museu da Revolução, em Havana, Cuba – Foto: Antonio e André

Ao conversar com alguns cubanos, a percepção que ficamos da ótica deles foi: “o regime foi necessário; talvez não totalmente da maneira como deveria, mas foi o grande responsável para Cuba seguir com índices de educação e saúde de países de primeiro mundo”.

Evolução dos números, em Havana, Cuba - Foto: Antonio e André

Evolução dos números, em Havana, Cuba – Foto: Antonio e André

À medida que conhecíamos a cidade caracterizada por uma pobreza extrema e ao mesmo tempo com praças que pareciam estar na Europa, não parávamos de relacionar esta ambiguidade com outras, também destacadas no museu da Revolução:

  • Cuba possui uma expectativa de vida de 79 anos – o país com um dos melhores índices dentre todos os países do continente americano;
  • Cuba conseguiu atingir ainda um bom índice de Desenvolvimento Humano (IDH);
  • E claro, uma altíssima relação de médicos por habitante: a exportação destes profissionais, por sinal é um dos grandes contribuintes (~US$ 5bi/ano) para o PIB cubano.

Apesar disso e do boom turístico dos últimos anos, o país ainda é considerado fechado. E a internet? Em pouquíssimos pontos da cidade! Leite em caixinha? Raro, muito raro, a maioria em pó mesmo. Carros? Uma frota excessivamente antiga, a grande maioria da década de 50 – pré-revolução.

Evolução dos números, em Havana, Cuba - Foto: Antonio e André

Evolução dos números, em Havana, Cuba – Foto: Antonio e André

A viagem foi interessantíssima!

Fomos em 4 amigos e desbravamos a cidade: alugamos um apartamento pelo Airbnb no Centro de Havana bem na frente do Capitólio: bom, bonito e barato e sem dúvida somado à experiência de se viver por poucos dias em um apartamento cubano.

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Capitólio de Havana, Cuba - Foto: Antonio e André

Capitólio de Havana, Cuba – Foto: Antonio e André

Comemos muito bem também!

Algumas experiências não tão agradáveis, mais algumas que foram um luxo, como é o caso do restaurante La Guarida – restaurante que abriu suas portas em 1996 em um palacete glamuroso do século XX no meio de um bairro sujo e bagunçado.

Foi no restaurante, inclusive que se filmou o filme “Fresa y Chocolate”, uma co-produção cubano-mexicano-espanhola que, na Havana de 1979, conta a história de David, um estudante universitário comunista, que conhece Diego, um artista gay descontente com a atitude do regime de Fidel Castro para com a comunidade LGBT e com a censura cultural.

Restaurante La Guarida, em Havana, Cuba - Foto: Antonio e André

Restaurante La Guarida, em Havana, Cuba – Foto: Antonio e André

No filme, David tenta a todo o custo evitar qualquer convivência com Diego, porém, diversas circunstâncias levam a que se estabeleça entre os dois uma sólida amizade, que nem os diferentes conceitos de vida conseguem perturbar.

Vale a pena ver o filme antes de visitar o restaurante!

Restaurante La Guarida, em Havana, Cuba - Foto: Antonio e André

Restaurante La Guarida, em Havana, Cuba – Foto: Antonio e André

Outra recomendação de restaurante é o Havana 61 em Havana Vieja: especializado em comida internacional e cubana.

Havana Vieja, aliás é uma diversão a parte: uma mescla de vitrais, arquitetura interessante e roupas penduradas em varais.

Restaurante Havana 61, no bairro de Havana Vieja, em Havana, Cuba - Foto: Antonio e André

Restaurante Havana 61, no bairro de Havana Vieja, em Havana, Cuba – Foto: Antonio e André

Restaurante Havana 61, no bairro de Havana Vieja, em Havana, Cuba - Foto: Antonio e André

Restaurante Havana 61, no bairro de Havana Vieja, em Havana, Cuba – Foto: Antonio e André

Bairro Havana Vieja, em Havana, Cuba - Foto: Antonio e André

Bairro Havana Vieja, em Havana, Cuba – Foto: Antonio e André

Bairro Havana Vieja, em Havana, Cuba - Foto: Antonio e André

Bairro Havana Vieja, em Havana, Cuba – Foto: Antonio e André

E a vida gay? A história dos direitos LGBT (ou da falta deles?) na Cuba de Fidel Castro, começa logo após a revolução. Por volta de 1960, bastava frequentar bares e boates gays para ser catalogado e colocado sob suspeita. Boates se tornaram um ponto de encontro de opositores do regime e o governo teve a infelicidade de associar a orientação sexual com a visão política. Ao menor sinal de que o indivíduo apresentasse comportamento “contrarrevolucionário”, incluindo ser homossexual, o governo iniciava uma perseguição, podendo inclusive ser preso ao lado de espiões, estupradores, opositores e assassinos.

Bairro Havana Vieja, em Havana, Cuba - Foto: Antonio e André

Bairro Havana Vieja, em Havana, Cuba – Foto: Antonio e André

Neste cenário, existia inclusive uma tentativa do governo cubano de “reeducar os criminosos”, forçando os homossexuais a se “converterem” em heterossexuais. Mesmo com o fim da perseguição, em 1979, homossexuais continuavam sendo classificados como uma subclasse da sociedade cubana. Atualmente, a situação dos homossexuais no país continua longe do ideal, mas há locais para uma curtição gay, como é o caso do Cabaret Las Vegas e das paqueras ao longo do Malecón: vimos várias bis ao longo do muro. Aliás, os homens cubanos são um caso à parte: simpáticos e belos!

Os boys cubanos - Fotos: Antonio e André

Os boys cubanos – Fotos: Antonio e André

🐒Leia mais no Viagem Primata: Havana, Cuba e o imaginário coletivo

 

12 dicas sobre Cuba

1 – Melhor levar Euro a Dólar, os restaurantes aceitam e a moeda é mais valorizada.

2 – Airbnb é uma boa opção e muuuuuuuito mais barato e interessante que hotel.

3 – Vale a visita à residência de Ernst Hemingway, escritor americano que morou anos em Cuba. Dica: veja antes o filme gravado em sua casa: “Papa Hemingway: Una História Verdadeira”.

4 – Leia antes de viajar, a edição especial da revista Super Interessante sobre Fidel Castro.

Bairro Havana Vieja, em Havana, Cuba - Foto: Antonio e André

Bairro Havana Vieja, em Havana, Cuba – Foto: Antonio e André

5 – Fuja do “pega turista” show de salsa; além de caro, é fria!

6 – Não se programe para ter acesso ao WiFi: você não terá!

7 – Tire o visto para Cuba no Consulado, no Pacaembu em São Paulo. Há a opção de tirar no aeroporto da conexão, mas não vale o estresse.

Havana, Cuba - Foto: Antonio e André

Havana, Cuba – Foto: Antonio e André

8 – Negocie os táxis: os preços variam muito: lei da oferta e demanda.

9 – Tome um drink Cuba Libre! Tome uma cerveja local! Tome uma Coca-Cola local!

10 – Se for de táxi para Varadero, certifique-se da qualidade do carro antes. A negociação pode parecer excitante e “ganhadora”, mas lembre-se de que há algumas variáveis: preço, qualidade do carro e beleza do motorista (rs).

Bairro Havana Vieja, em Havana, Cuba - Foto: Antonio e André

Bairro Havana Vieja, em Havana, Cuba – Foto: Antonio e André

11 – Contrate um carro antigo para dar umas voltas pela cidade: a experiência é incrível!

12 – Se você gosta de praia, troque Varadero por Mykonos ou Fernando de Noronha.

Havana, Cuba - Foto: Antonio e André

Havana, Cuba – Foto: Antonio e André

🐒Leia mais no Viagem Primata: Trinidad, Cuba

 

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Sobre Antonio & André

Antonio & André

Antonio e André são colunistas do Viaja Bi!. Querem conhecer ao menos 100 países. Colecionam imãs de geladeira e pontos em cias. aéreas, dormiram no Saara, em hotel de gelo e em barraca no Monte Roraima. Antonio gosta de grandes cidades e de aventura. André tem o Japão como seu destino preferido. Buscam os melhores shots entre auroras boreais, soukis e Shibuyas ao redor do mundo. Todos os posts do Antonio & André.

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