3 de maio de 2017

Índia LGBT? Cores e relatos de 4 amigos gays

Como disse Jean-Claude Carrière, roteirista contemporâneo francês formado pelo famoso Luis Buñuel “as ruas da Índia são um museu a céu aberto”! E foi exatamente esta sensação que tivemos ao chegar à Nova Delhi: um show de cores, tecidos, especiarias, comida, porcos andando pelas ruas, cabras perdidas, dezenas de Tuk Tuks (motorizadas e não motorizadas) buzinando sem parar e gente, muita gente! Nunca nos sentimos tão aderentes à realidade do livro “Quente, Plano e Lotado”, de Thomas Friedman.

Bis duplamente coloridas - Foto: Antonio & André

Bis duplamente coloridas – Foto: Antonio & André

Viajamos em quatro pessoas e nossa aventura começou andando de Tuk Tuk não motorizada pelas pequenas ruas do mercado de Old Delhi.

Ficamos extasiados com tamanha diversidade de imagens, pessoas, trânsito caótico de carros, bicicletas, ônibus e animais.

Old Delhi, na Índia, cores e mistura - Foto: Antonio & André

Old Delhi, na Índia, cores e mistura – Foto: Antonio & André

Um retrato da Índia - Foto: Antonio & André

Um retrato da Índia – Foto: Antonio & André

Apesar deste arraso todo, ser gay ainda é proibido na Índia, sujeito a prisão por 10 anos. Uma lei do século XIX, que considera o ato entre homens “uma ofensa natural” foi revogada em 2009, mas depois de pressionado por religiosos, o país autorizou a volta da norma em 2013. Em 2014, por exemplo, 778 homossexuais foram presos.

Ainda assim, a relação entre os homens héteros é interessante: andam de mãos dadas e sempre juntinhos.

Héteros indianos - Foto: Antonio & André

Héteros indianos – Foto: Antonio & André

Viajar pelas estradas da Índia foi também uma grande aventura. Primeiro porque as cidades são todas conurbadas – não conseguimos distinguir quando acaba uma e começa a outra.

A lei do trânsito é não ter lei: buzinas ininterruptas, ultrapassagem nas curvas, crianças penduradas em vans escolares, vacas andando – muitas vacas no meio da estrada – e centenas de motos, onde capacete é artigo de luxo.

Índia: abra sua mente, não somente tuas asas - Foto: Antonio & André

Índia: abra sua mente, não somente tuas asas – Foto: Antonio & André

Um dos motoristas que pegamos nos disse: “Para dirigir na Índia, você precisa de uma buzina e um pouco de sorte”. Bem isso mesmo!

Antes de seguir viagem a Udaipur, fizemos um passeio de balão escândalo! Além da paisagem vista do alto do Rajastão, o interessante foi pousar em pequenas comunidades rurais.

Nem a madrugada borrou a maquiagem no passeio de balão - Foto: Antonio & André

Nem a madrugada borrou a maquiagem no passeio de balão – Foto: Antonio & André

Taj Mahal, tem como não amar? - Foto: Antonio & André

Taj Mahal, tem como não amar? – Foto: Antonio & André

Varanasi é um capítulo a parte! Quanta emoção! Os peregrinos vão à cidade para morrer. É um desejo dos mais idosos que reforçam a crença antiga, segundo a qual morrer por lá os livra, de uma vez por todas, do samsara, ou seja, da obrigação de renascer e renascer novamente.

“Estes peregrinos descem até o Ganges esperando o misericordioso Shiva, que os levará sorrindo para o país da dança eterna”.*

Varanasi, um museu a ceu aberto - Foto: Antonio & André

Varanasi, um museu a ceu aberto – Foto: Antonio & André

O ritual do Ganges nos fez chorar: uma energia que nos contagiou, uma mistura de estar tocado pela miserabilidade humana – evidente às margens do rio, mas também com todos os elementos espirituais que envolvem o rio e claro, Shiva.

“Sem Shiva, o rio Ganges teria engolido a terra. Este deus destruidor é também um salvador (…) ele é fogo e também água. É o fogo que queima e a água que apaga o fogo (…) este deus tem o poder de destruir, mas ao mesmo tempo é o verdadeiro criador e que vai destruindo o que nasce dele”.*

Varanasi, um museu a ceu aberto - Foto: Antonio & André

Varanasi, um museu a ceu aberto – Foto: Antonio & André

Para nós, a experiência de Varanasi nos fez recordar o dito de que sempre se volta transformado da Índia! E não tivemos dúvida disso! André teve um processo que ele mesmo chamou de desintoxicação corporal, mas também mental. Ele ficou taciturno em vários momentos da viagem e entre pitadas de depressão e reflexões de tudo que ele viveu, certamente o fez refletir sobre seu futuro e sem dúvida o desejo de voltar à Índia.

André nos pedidinhos - Foto: Antonio & André

André nos pedidinhos – Foto: Antonio & André

 

10 dicas para arrasar na Índia

1- Todo o roteiro luxo foi feito por uma excelente agência que customizou todas as etapas, com guias, motoristas particulares e a total exclusividade que estas 4 bis mereciam. Super recomendamos! A agência é a Ecstatic India Tours, falar com Pushpendra Sharma (telefone +91 141 5111605).

Um caso de amor no Taj Mahal - Foto: Antonio & André

Um caso de amor no Taj Mahal – Foto: Antonio & André

2- Outra dica é ter paciência no aeroporto. Caótico e com um sistema de imigração lento e burocrático: vá para o final do saguão porque mesmo com o visto impresso é necessário entrar por lá para eles checarem tudo. Demoramos 2h neste processo. Além disso, assim que sair, há algumas casas de câmbio, mas o limite de troca é U$ 80 dólares por pessoa.

🌈Compre dólar antes de sair do Brasil

3- Passear pelo mercado de Old Delhi vale super a pena! Caminhar e conversar com as pessoas é também uma ótima pedida.

Diversão garantida na Primeira Classe do trem - Foto: Antonio & André

Diversão garantida na Primeira Classe do trem – Foto: Antonio & André

O banheiro do trem de Primeira Classe - Foto: Antonio & André

O banheiro do trem de Primeira Classe – Foto: Antonio & André

4- Pelo amor de Deus: água só de garrafinha e o mantra diz: “no ice, no ice!”

5- Faça uma aula de yoga e uma sessão de massagem ayurvédica!

6- Coma a Gulab Jamun: maravilhosa sobremesa feita de leite em pó com água de rosas e servidos com sorvete ou chantili.

7- MUST GO: Holi Festival, que acontece em dias específicos de março. Em 2018, será no dia 2 de março e, em 2019, 21 de março. A celebração acontece pela manhã.

Holi Festival: as deusas - Foto: Antonio & André

Holi Festival: as deusas – Foto: Antonio & André

Holi Festival: trans divina - Foto: Antonio & André

Holi Festival: trans divina – Foto: Antonio & André

8- Sempre tenha notas trocadas de rupia (moeda local): é comum pagar pelos pequenos serviços, de garçom até pessoas no banheiro que dão folha de papel. Tome nota: em média, 500 rupias por dia para os guias está OK.

9- Udaipur é um espetáculo, um charme só, então não deixem de ir. Diariamente, às 19h, há um espetáculo de fantoche (Bagore Ki Haveli), que fala um pouco da história do Rajastão, mas também mistura dança e teatro. Chegue às 18h30, porque lota.

Palácio no Rajastão - Foto: Antonio & André

Palácio no Rajastão – Foto: Antonio & André

10- Esteja de coração aberto para vivenciar a Índia. Desprenda-se de rótulos e preconceitos e mantenha os cinco sentidos aguçados para absorver o que este país pode nos ensinar.

 

Mais fotos da Índia

 

*citações de ‘Índia: um olhar amoroso’, de Jean-Claude Carrière.

 

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Sobre Antonio & André

Antonio & André

Antonio e André são colunistas do Viaja Bi!. Querem conhecer ao menos 100 países. Colecionam imãs de geladeira e pontos em cias. aéreas, dormiram no Saara, em hotel de gelo e em barraca no Monte Roraima. Antonio gosta de grandes cidades e de aventura. André tem o Japão como seu destino preferido. Buscam os melhores shots entre auroras boreais, soukis e Shibuyas ao redor do mundo. Todos os posts do Antonio & André.

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6 Comentários

  • Jeff
    2017-05-06 22:40

    Nossa! A viagem foi um arraso! <3

  • marilus
    2017-05-15 16:29

    Tbm quero conhecer muito a India vou conhecer

    • Rafael Leick
      2017-05-15 19:35

      Eu também ainda não conheço. Se você for, volta aqui pra contar como foi, ok? 🙂

  • Rafalea
    2017-05-16 07:56

    Nossaaa que tudo!! Vou pra India em agosto! Rola de trocar umas ideias por whats?

    • Rafael Leick
      2017-05-17 02:38

      Oi, Rafaela, tudo bem? Eu ainda não fui pra Índia. Deixe suas dúvidas aqui que peço pros meninos responderem, ok? 🙂

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