30 de setembro de 2021

Naked Boys Singing!, musical gay com nudez, chega ao Brasil

Com estreia prevista para 16 de outubro de 2021, o espetáculo Naked Boys Singing! (Homens Pelados Cantando!, em tradução livre) terá uma montagem no Brasil, depois de dois adiamentos por conta da pandemia e 23 anos desde sua estreia nos EUA.

Ele integra a 1ª grande leva de musicais presenciais em São Paulo e Rio de Janeiro, como o Donna Summer Musical.

Naked Boys Singing!, espetáculo de teatro musical gay com nudez masculina - Foto: Divulgação/Caio Gallucci

Naked Boys Singing!, espetáculo de teatro musical gay com nudez masculina – Foto: Divulgação/Caio Gallucci

 

Naked Boys Singing! no Brasil: atores pelados e música ao vivo

Quem é familiarizado com os clássicos da cultura gay já deve ter esbarrado, em algum momento de seu entendimento como membro da comunidade LGBTQIA+, com o Naked Boys Singing!. Há alguns anos, tive o primeiro contato por meio de um amigo que me emprestou o DVD do espetáculo (disclaimer para as gays GenZ: DVD é tipo o pai do streaming, tá?).

O espetáculo conta com música tocada ao vivo por um ator e pianista, Gabriel Fabri na nova montagem brasileira, e 15 atos musicados que vão do drama ao sem noção, abordam temas relacionados ao corpo masculino e são interpretados por atores pelados no palco. Os 10 atores da montagem brasileira, entre eles o querido Tiago Prates, são também cantores e bailarinos e se somam a uma equipe criativa de 9 artistas, incluindo Ettore Veríssimo, que assina a direção musical, e Cícero de Andrade na produção.

O público poderá conferir essa junção de nudez, música e interpretação de Naked Boys Singing! entre outubro e dezembro de 2021 no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo. Vale lembrar que o teatro é gerido pela organização social de cultura Amigos da Arte, que também é responsável pelo Museu de Diversidade Sexual, que fica na área pública da estação República do Metrô de SP.

 

A história de Naked Boys Singing! pelo mundo

Seguindo os protocolos sanitários do estado, o musical já está estabelecido como um ícone da cultura gay mundial. Desde sua esteia no Hollywood’s Celebration Theatre, em Los Angeles, em 1998, o espetáculo de teatro musical foi produzido em mais de 20 países e sempre esteve em cartaz em algum lugar do mundo. Uma de suas montagens mais famosas foi em Nova York, onde se tornou o segundo musical mais longevo off-Broadway. No ano passado, ele estava em cartaz em Londres, mas foi interrompido por conta da pandemia. Há cerca de 2 semanas, estreou uma temporada em Las Vegas (ingressos aqui).

Segundo o diretor da montagem brasileira de Naked Boys Singing!, Rodrigo Alfer, a nudez total que vemos no musical, em 2021, tem um significado ainda mais amplo e poético por conta das pessoas terem sido obrigadas a se cobrir e temermos o corpo e contato com o outro por conta da pandemia. Para ele, “o musical, além de libertador, será uma celebração à vida”.

O Naked Boys Singing! possui estrutura do gênero Vaudeville, gênero surgido na França no século XV em que artistas se apresentavam por meio de números musicais, de dança, acrobacias, mágicas, entre outros, dirigido somente a homens, no início, por ser considerado grosseiro. No século XIX, ganhou tom de comédia nos EUA e Canadá e era a principal forma de entretenimento da classe média burguesa.

Mas, além de entreter a burguesia, o espetáculo que se tornou ícone da cultura gay aborda temas como masturbação, circuncisão, HIV, ereção involuntária, padrão de corpos, gordofobia, pornografia e amor.

Homens pelados no palco e na arte

Tendo entre as temáticas abordadas o “corpo padrão”, fico bem feliz de ver que a montagem paulistana tem muito mais diversidade de corpos do que a de Las Vegas, por exemplo. É importantíssimo termos representatividade visual, especialmente em um país miscigenado como o Brasil e quando falamos de um espetáculo que tem o corpo nu masculino em destaque.

Para você que acabou de chegar ao Vale dos Homossexuais e tá desavisada, o culto ao corpo padrão no mundo gay é bastante forte, intensa e tóxico. E ver homens pelados em plena diversidade é lindo!

A assessoria do Teatro Sérgio Cardoso, compartilhou com o Viaja Bi! um histórico do nu masculino na arte mundial e brasileira (gratidão e parabéns!) e que gostaria de trazer para vocês aqui.

Na história da arte figurativa, o nu existe desde os primórdios, foi praticado em diversas culturas como egípcias e assírias. Ao buscar um recorte em nossa cultura ocidental para o corpo masculino, é possível encontrarmos a forma como foi retratado. Na Grécia antiga, berço de nossa civilização, esteve presente tanto nas artes quanto na mitologia, onde encontramos seres com figurações masculinas e fálicas, como é o caso do deus Príapo.

Com o passar do tempo, o corpo nu masculino entrou para os estudos de anatomia, onde se fortaleceram nas instituições de arte e deixaram de ser algo provocativo, o que foi retomado nos anos 1960 através de performances artísticas.

No Brasil, o espetáculo musical americano “Hair”, que em 1969 esteve em cartaz na cidade de São Paulo, com atores hoje consagrados, como Ney Latorraca, Antônio Fagundes e Sônia Braga, é considerado o primeiro espetáculo teatral com nu frontal coletivo, seguido por espetáculos do Teatro Oficina e por Raul Cortez, que verdadeiramente fez o primeiro nu frontal masculino do teatro brasileiro, no celebrado espetáculo “O Balcão”, de Jean Genet.

Após esse período, o nu, principalmente o masculino, foi perdendo a sua força no que diz respeito ao seu uso nas artes e praticamente se tornou um tabu. Diferente do corpo feminino, que sobreviveu, mas à serventia de um mundo patriarcal e machista.

Muito se fala da nudez gratuita ou de sua conotação mercadológica para se vender ingressos. Também é dito que o nu ficou no passado e que ninguém mais se interessa. Com a internet e a pornografia à mão de quem quiser, o nu foi atrelado a uma categoria menor, colocado num nível menor até mesmo por artistas.

 

Naked Boys Singing!

Teatro Sérgio Cardoso – Sala Paschoal Carlos Magno
Temporada: 16 de outubro a 19 de dezembro. Sábados, às 19h; e domingos, às 20h.
Ingressos: R$40 (inteira) e R$20 (meia-entrada)
Duração: 80 min
Classificação indicativa: 16 anos
Informações: @nbsb2021

Ficha técnica

Idealização: Robert Schrock / Versionista: Rafael Oliveira / Direção: Rodrigo Alfer / Assistente de Direção: Manu Littiéry / Assistente de Coreografia: João Hespanholeto / Direção Musical: Ettore Veríssimo / Assistente de Direção Musical: Gabriel Fabbri / Direção Coreográfica: Alex Martins / Preparação de Elenco: Érika Altimayer / Cenário e Figurino: Daniele Desierrê / Desenho de Luz: Gabriela Araújo / Desenho de Som: André Omote / Copista: Rafael Gamboa / Produção e Cenotecnia: Alexandre de Marco / Produção: Cícero de Andrade / Produção: Bacana Produção Artísticas & Mosaico Produções / Elenco: André Lau, Aquiles, João Hespanholeto, Luan Carvalho, Lucas Cordeiro, Raphael Mota, Ruan Rairo, Silvano Vieira, Victor Barreto, Tiago Prates e Gabriel Fabri (pianista) / Fotos: Caio Gallucci

 

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Sobre Rafael Leick

Rafael Leick

Criador dos projetos Viaja Bi!, Viagem Primata e ExploraSampa, host do podcast Casa na Árvore e colunista do UOL. Foi Diretor de Turismo da Câmara LGBT do Brasil. Escreve sobre viagem e turismo desde 2009. Comunicólogo, publicitário, criador de conteúdo e palestrante internacional, morou em Londres e São Paulo e já conheceu 30 países. É pai do Lupin, um golden dog. Todos os posts do Rafael.

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